Monday, 27 July 2009

Visitas ilustres

Fim de semana passado tivemos a ilustre visita de Gustavinho Victer e Dani. Ele veio a trabalho para Londres, e ela apenas para desfrutar...

... afinal, nesse casal de petroleiros manda mais quem tem mais tempo de casa: a Dani.

Romeu e Gustavo se encontraram nas galerias de arte moderna do Tate Modern, em Londres.

Agora vamos parar com esse papo furado de coluna social e vamos ao que interessa: cerveja !!! Não via a hora de deixar o museu para o pub imediatamente à frente, onde podemos apreciar a vista de Saint Paul's, umedecer o espírito e ouvir sábias palavras do grandalhão. Nesse momento Rodrigo e Fernanda Victer já haviam nos encontrado:

Após o pub, nos direcionamos para um lugar chamado Belgo no centro de Londres, território de meu amigo Victer, que graciosamente nos direcionou a tal templo da cerveja. Abaixo está um pato feito ao molho de cerveja:

... que a Carina mandou voltar porque estava cru e duro. Após aguentarmos a cara feia do garçon, veio um pato bem passado e macio.

Aí começamos a nos deliciar com as maravilhas belgas:

Gustavinho malandrão... Abaixo foto da família Victer:
Gustavo ficou realmente impressionado com meus conhecimentos cervejísticos. E após muito folhar o cardápio, arriscou alguns palpites:


Cerveja no. 29 - Delirium Nocturnum

Huyghe Brewery - Ghent - Bélgica

É uma ode ao sabor. Uma cerveja de forte teor (9%) que não se desconcentra quanto à qualidade, ao requinte e à delicadeza que são próprios das cervejas belgas.
O elefantinho cor de rosa é o símbolo do bêbado, e aparece para o Dumbo quando ele se desconcerta:






Posso dizer que sou um fã de longa data do elefantinho. A foto seguinte foi tirada em 2002 nos arredores de Paris:

Saturday, 18 July 2009

Brew Dog - quase lá

Nesse exato momento acabamos de chegar de uma festa de simpáticos amigos ingleses, onde reconheço que tomei algumas. Chegando em casa, decido abrir tal relíquia que está em meu "fridge". Estava guardando para uma ocasião especial, mas para quem viu Sideways, sabe que no momento em que você abre tal garrafa você já se encontra numa ocasião especial.

Mais uma da Brew Dog. Esses rapazes sabem mesmo como fazer cerveja. Essa que eu mostro agora foi bem cara - £ 4.50 - e altamente recomendada pelo pessoal da Real Ale no Ealing Beer Festival.

Cerveja no. 28 -Mikkeler
Brew Dog - Escócia

Tem gente que vive e tem gente que sobrevive. E existe ainda uma categoria de pessoas que nasceu para viver e tocar coisas bonitas. Essa cerveja não só é ALUCINANTE, como tem um rótulo extremamente jovial e saudável.



Quanto ao design... Lindo. Quanto ao líquido...
... é fenomenal. Esqueçam todo o resto. Uma ale saborosa, simpática, fruitificada, animada, festiva, adocicada, balanceada....................... PERFEITA !!!!!


Mas parece que há algo melhor por vir...


ME AGUARDEM!!!!!

Enquanto isso, mais uma fotinho de Pub: Harvester em Boston Manor:

Esse pub é bem legal e vende cerveja barata (£ 2.15 o pint).

Dá para se deliciar...



Tá caindo !!!

Friday, 17 July 2009

YAIPA - Yet another IPA

Hei de confessar que meu PC está entupido de fotos de cerveja, e que realmente estou mais para bêbado que para escritor.

Assim, mostro umas cervejas de menor qualidade antes de mostrar o bizu...

Como um crocodilinho americano um pouco desprovido... ou ainda...
uma cerveja belga que tenta ser inglesa....


Mas o bom mesmo dessa agradável noite de verão (absurdos 15 graus) é a IPA abaixo:

Cerveja no. 27 - Halcyon IPA
Thornbridge Brewery - Ashford in the Water - Derbyshire - Inglaterra

Após provar tantas Ales é impressionante como uma delas pode te surpreender. É mais ou menos como ouvir um Rock and Roll. Quando se pensa que o gênero está esgotado, surge um Empire of the Sun com musicalidade superior a muitos hits da década de 70.

A Halcyon (a qual estou bebendo nesse momento) oferece um sabor tipicamente indo-britânico. Parece que as IPA's formam a base da cultura indiana, uma vez que são austeras e alegres. É a opressão do império aliada à descontração asiática.

Viva a Índia !!!! Viva o império !!!!


Sunday, 12 July 2009

Lager com atitude

Quando estive no estande da Real Ale no Ealing Beer Festival, o Fenn me ofereceu uma lager. De imediato pensei: mas que herege !!!

Para mim cervejas lager significam a completa falta de essência, sabor, emoção e em última instância prazer. Cervejas como Skol, Antarctica, Brahma, Sol, Schin, etc, em minha opinião, só contribuem para o aquecimento global. Faço algumas ressalvas à Antarctica original, Bohemia e chopp da Brahma.

Mas vamos à cerveja do Real Ale.

Cerveja no. 25 - 77 Lager

Brew Dog - Escócia

Acho que descobri "a cervejaria". São dois jovens rapazes que produzem isso, e seu website é bem interessante - tem até blog.

Essa cerveja tem tudo a ver. Tem requinte, aroma e uma complexidade inigualável quanto o assunto é lager. Estou para ver uma lager que tenha mais sabor que esta.


Assim, comecei a levar as lagers mais a sério:

E põe sério nisso !!! Mais sério que isso só mesmo cevando um mate:



E já que o assunto aqui é lager, vou apresentar aqui uma que tomei em Lübeck (Alemanha).

Cerveja no. 26 - Jever
Jever Brauerei - Alemanha

O mais legal dessa experiência foi o ambiente. Um restaurante muito fino. E quando falo fino, falo em função da qualidade da comida e do atendimento.

O brasileiro comum com certeza se sentirá mal atendido aqui como em todo lugar na Europa. Afinal a tarefa dos garçons no velho continente é servir, e não ser psicólogos ou babás.

Infelizmente não tenho uma foto do garçon com o cabelinho lambido para postar aqui. Mas já que meu assunto é mesmo cerveja...

A Jever é um exemplo de requinte. O traço forte em seu sabor mostra sua personalidade, apesar de não conter a complexidade da 77 lager anteriormente apresentada.

Mas complexidade em lagers é mesmo para pouquíssimas.

Abaixo o jantar do dia:

Porco com cogumelos, couve flor, brócolis... Bom, dá pra ver pela foto que o molho é sensacional, assim como o tempero.

A foto acima estava na parede de nosso hotel.

Friday, 10 July 2009

Topo do mundo - festivais de verão

O verão é uma estação muito celebrada na Europa. Passa muito rápido e logo, logo, tudo já está frio e escuro.

Quando o verão chega, acontecem diversos festivais em inúmeros parques espalhados pelas cidades do velho continente. Os mais famosos aqui de Londres são os que ocorrem no Hyde Park, com shows de artistas famosos.

Mas para quem não gosta muito de se locomover e enfrentar público (também conhecido como "cabeçada"), dá para curtir uns festivais locais com certa tranquilidade.

Hoje estamos no meio do Ealing Beer Festival, que acontece num parque aqui perto de casa. Hei de concordar que é uma gente um pouco esquisita... Mas foi uma oportunidade única de degustar cervejas de diferentes lugares direto do barril.

Já na entrada é preciso um pouco de paciência:
Esse festival é o seguinte: um lugar cercado no meio do parque, com poucas mesinhas e gente bebendo:

Não há música, porém dá para beliscar um cachorro quente. Mas o verdadeiro e mais sério motivo por que as pessoas aqui se reúnem é para apreciar o líquido que está dentro desses barris:

E haja barril. Cada um deles é rotulado com o nome da cerveja, a origem e o tipo.
E vim a descobrir mais uma unidade de medida britânica: o Nip, que traduzindo pro português seria uma "provinha". Um Nip equivale a um terço de Pint, e custa de £0.80 a £1.10. Medida perfeita para quem quer experimentar várias sem se embebedar.

E entre uma e outra acabei encontrando meus amigos do Real Ale:


O Steve foi embora... quem me atendeu foi o Fenn, com sua namorada (esposa?). Vi ele retornando com uma preciosidade e escondendo debaixo do balcão. Não é que era a cerveja que eu tinha acabado de beber? Ele me disse que ia levar para casa e guardar para uma ocasião especial. Coisa de inglês...

Cerveja no. 24 - Amager Old Man's Ale
Amager Bryghus - Dinamarca

Está mais para uma cachaça que cerveja. Essa pequena garrafinha de 300 ml contém a cerveja com maior teor alcoólico que já provei: 14% GL. E pela bagatela de £7.50. O senhor que estava me servindo até me perguntou: hmmm, é essa mesmo que vc quer? HAHAHA. As pessoas aqui se preocupam com o quanto você vai gastar... ou beber.



Apesar da fortuna que gastei, acho importante fazer esse tipo de coisa uma vez na vida. E vai ser só uma vez mesmo. Me deliciei com o líquido, mas acho que existe uma barreira entre o que é cerveja e o que começa a ser outra coisa. O forte teor alcoólico acaba atrapalhando o gosto de uma cerveja que em sua essência é boa.

Abaixo mais umas fotinhos dos seres bizarros que freqüentam esse tipo de festival. Com certeza tem um monte de nerd que gosta de Star Wars no meio. Mas hoje eles estão disfarçados de bêbados.

Dizem que Londres não é uma cidade de 10 milhões de habitantes, mas sim mil cidades de 10 mil habitantes.

Em uma dessas mil cidades existe um festival de verão de cervejas. E em meio a criaturas excêntricas, me encanto com a degustação de ótimas ales nesse pequeno pedaço de Inglaterra que chamo de meu.

Walpole Park - Ealing Broadway - West London - 10/07/2009.

Tuesday, 30 June 2009

Pináculo da felicidade

Esse é mais um post sobre minha ida a Lübeck. Estava guardando esse para o final, pois é o mais importante. No entanto, tenho andado muito ocupado no trabalho e curtindo o verãozaço britânico. Hoje fez uns 30 graus e já tem gente caindo pra trás.

Cerveja no. 23 - Brauberger Keller
Brauberger Brauerei - Lübeck - Alemanha

Eis o relato do segundo dia em que fomos a essa cervejaria caseira: era uma segunda-feira e nosso avião saía naquele dia para Londres. Chegamos às 5 da tarde em ponto, pois era a hora que o lugar abria. Pedi uma cerveja. Tomei como se fosse um suquinho. Pensei: esses caras estão me enganando. Essa cerveja não tem álcool. Pedi mais outra. Quando veio a terceira, perguntei à garçonete: qual é a porcentagem de álcool dessa cerveja? Ela me respondeu, com a sutil delicadeza de quem está com pressa: Vier komma Acht Prozent (4,8%). Somente na metade do quarto copo é que comecei a me sentir tonto.


Bebidas boas não deixam transparecer o gosto do álcool. É o caso do Royal Salute, ou mesmo uma cachaça das boas, ou um bom vinho reserva.

Mas vamos o que interessa, que é a ocasião cervejística. Comecemos pelo prato: uma ótima batatinha com chucrute e porco:

Nada de especial para os padrões locais, pois esse é uma lugar para beber, e não para comer. Mas confesso que essa comidinha caiu bem. A foto abaixo mostra um pouco do ambiente do bar, e dá para percerber que o pessoal realmente não está muito interessado em comida:

Essa foto a garçonete tirou. Armou uma quizumba para se posicionar sentada à mesa do lado. O casal que lá estava nos achou engraçados, e deram até tchau quando foram embora.

As duas fotos abaixos são de um caldeirão em que eles fazem (ou faziam?) sua cerveja:

Nessa aqui dá pra ver melhor uma pintura na parede:

Aqui é o porão, ou Keller. Abaixo é um instrumento medieval de fabricação de cerveja:

Medieval???? SIM !!!! MEDIEVAL !!!! ESSE PORÃO FOI CONSTRUÍDO EM 1225 !!!!!

Aqui foi no segundo dia a que me referia no início do post:

Uma cara meio de acabado... uns 4 quilos mais gordo....
... mas uma felicidade inabalável !!!

Os motivos abaixo estão nos vidros da cervejaria:
Achei bem interessante. Quem se senta para beber não nota.
Viva a arte em torno da cerveja!!!

E QUE CERVEJA !!!! MELHOR DO MUNDO !!!! Suave, aveludada, gentil e hospitaleira. Está longe de uma rabugenta e complexa ale inglesa. Mas ainda assim é rica. No primeiro dia, logo na entrada, dois rapazes já mais pra lá do que pra cá me indicavam: Bestes Bier Lübeckes (melhor cerveja de Lübeck).

No vídeo abaixo dá para se ter idéia do ambiente da cervejaria:



É um ambiente meio escuro e sinistro.... mas atrai clientes às 5 da tarde de segunda-feira. Ou será que eles lá se apresentam pelo simples fato de serem alemães?

Monday, 22 June 2009

Na falta de Keller...

Lübeck é mesmo uma cidade fantástica. Tão singela e agradável que até marcamos nosso retorno para setembro.

Este é o Holstentor, que fica na entrada da cidade velha. Pra quem adorava o de Gramado, era hora de rever os conceitos sobre pórticos:


É mesmo de se ficar embasbacado:
...como nessa vista do portão na extremidade oposta à do pórtico:

Cerveja no. 22: Duckstein
Dusckestein Brewery - Áustria

Logo que chegamos a Lübeck, o primeiro lugar que me atraiu foi... uma padaria. Mas tudo bem, era de se perdoar, pois era de manhã e estávamos com fome. Após deixarmos nossas coisas no hotel, voltamos à cidade e aí sim pude observar que algumas pessoas se reuniam nessa praça, buscando um lugar ao sol.

Ora se não era a famosa adega da prefeitura de Lübeck, cuja fama ainda não havia me alcançado. Sentei-me e logo fui pedindo uma Keller Bier. Pedi com cuidado, tipo: o senhor teria, por acaso, uma Keller Bier? É lógico que somente casas mais requintadas têm esse tipo de cerveja local. O garçon, muito educado, me respondeu que não, mas poderia me trazer essa Duckstein:

Ele havia pescado meu recado: sabia que estava à sua frente um exímio degustador de cervejas (digo degustador, e não entendedor - a diferença é tênue, mas existe), e me sugeriu essa cerveja com corpo extremamente requintado, aroma floral e com a destreza de um exímio esgrimista.

Só agora, por minha surpresa, vejo que é produzida na Áustria.

Os alemães bebiam em sua maioria cervejas do tipo pilsener (como Kölscher). O dia quente até era propício a esse tipo de cerveja, mas para minha pilseners são cervejas... para a maioria, mesmo.

Notei que alguns poucos alemães - esses sim entendedores - empunhavam similares copázios contendo precioso líquido de tonalidade rubra.

Até minha senhora se deleitou com tamanha generosidade divina:

A foto abaixo foi tirada num restaurante à noite:E já que mencionei padaria no início desse post, eis o tipo de maravilhas que tais milenares estabelecimentos escondem:
No alto à direita a minha delícia preferido: Kirschschneke, um tipo de cuca de açúcar com recheio de Erdberren (algo como framboesa?).

E para os cariocas que não sabem o que é uma cuca de açúcar, sugiro que peçam uma em sua próxima viagem ao sul do país.